Dança Baladi

É a dança dos egípcios, mas... O que é realmente "baladi" afinal?
Durante centenas de anos, começou a urbanização do Egito, quando moradores das áreas rurais foram para o Cairo e cidades mais centrais em busca de melhores trabalhos e qualidade de vida. Embora estejam estabilizados nestas cidades, sempre se mantiveram orgulhosos e conectados com suas raízes.

É este o lugar que eles sempre chamam de "casa": a vila ou aldeia de onde vieram.
Eles dizem: "ainda vou voltar para el-balad", que significa minha cidade, meu lugar de origem.
A vida nestes lugares não é rica, porém a reputação, honra, respeito e família são tudo com que os "baladis" se preocupam. Já as pessoas da cidade, ditas sofisticadas, de classes mais altas, chamam os "baladis" de bregas, sem educação e sem gosto para se vestir.
Para melhor compreender o que é a Dança Baladi, vamos mergulhar numa história...

Imagine agora uma garota que chamaremos de Zeinab, nascida numa família pobre. Seu pai trabalha nos campos e sua mãe cuida da casa e de seus quatro irmãos. Zeinab tem longos cabelos negros, um rosto que parece a lua cheia, um sorriso que pode quebrar seu coração quando ela anda pelas ruas com sua galabia colorida e lenços coloridos no cabelo, seu gingado deixa os meninos sonhando com "dum tak, tak dum tak".

Ela se desenvolve, cresce e se casa, tornando-se uma mulher forte, orgulhosa de suas origens e tradições, exalando o poder feminino no olhar. Esta é Zeinab!

Imagine agora que sua irmã mais nova irá se casar. É um dia de tanta alegria, talvez até mais do que seu próprio casamento. Você acha que Zeinab irá dançar no casamento de sua irmã? Como ela irá dançar sem quebrar as tradições de nunca se expor na frente dos outros e envergonhar seu marido?

É aqui que chegamos no "espírito" da dança baladi. Ela terá que dançar lentamente, aos poucos...
Começando por um "taqasim", o improviso de um instrumento, talvez alaúde ou acordeon.
Zeinab dançará no próprio lugar, com movimentos pequenos, contidos porém cheios de
sentimento. Esta parte introdutória do Baladi chama-se Awwadi, parecida com um Mawwal,
canto nostálgico, sem ritmo, porém é o instrumento que canta.
Mas a audiência quer ver Zeinab dançando por completo. O gelo vai sendo quebrado, o ritmo
é introduzido aos poucos. O "taqasim" acaba com o instrumento melódico fazendo um jogo
de "pergunta-resposta" com a percursão. Esta parte é chamada de Me-Attaa.
Quando o ritmo é estabilizado, Zeinab estará dançando por inteiro, ainda de uma maneira
conservativa, porém expressando sua sensualidade e sua forte personalidade.

Os músicos sabem que tudo anda bem e aos poucos entram num ritmo mais acelerado
("Maqsoum"), quando Zeinab já estará livre das inibições e mostrará toda sua dança, para
frustração de seu marido e delírio de todos os presentes!
Nesta parte, entra uma melodia nostálgica, ao som do "mismar", instrumento típico
folclórico, que chama todos a "voltar para casa", para suas raízes para as fazendas e
à vida simples, voltar para El-Balad, não é mesmo? Esta parte do baladi chama-se "Tet"
e pode se estender por algum tempo.
Sem perceber, entra na música outro "Me-Attaa" e gradualmente o ritmo vai desacelerando...
Agora todos já assistiram tudo. E voltando ao original "taqasim awwadi", a música
gentilmente encerra.
Assim uma mulher baladi dançaria!
Esta dança tem sido incorporada aos palcos, porém dizem que o melhor baladi é
aquele que as egípcias dançam para seus maridos em privacidade.

(Inspirado num texto de Hossam Ramzy.)
 
 
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